Hoje é dada a largada do Desafio 30 dias. Meu tema era: “Escreva sobre algo histórico“. Eu estava certo de que eu tentaria escrever sobre as grandes navegações, ou sobre os conquistadores nas américas. Mas devido a minha falta de conhecimento do período, resolvi pegar outra época pela qual sou apaixonado, e entendo um pouco mais, Roma antiga. Em especial, a batalha de Teutoburgo.

Eu sabia que foi uma das maiores derrotas que roma já sofreu, e resolvi pesquisar mais. Assisti um documentário do Military Channel (que eu nem sabia que existia), contido de duas partes de 45min cada (parte 1, parte 2). Depois fiz algumas anotações sobre o que eu entendi de tudo aquilo, e pensei em contar a história através do ponto de vista de um legionário romano fictício.

Achei que seria mais fácil. Mas escrever algo assim sem nenhum planejamento, e tendo pouco conhecimento da coisa toda, é muito dificil. Me atrapalhei inclusive no modo de narrativa. Ficou uma mistura de diário / narração em primeira pessoa. E infelizmente não consegui terminar a história. Separei 1h para escreve-la, e fiz apenas 1060 palavras nesse tempo todo. Se sobrar tempo, quero terminar ainda hoje. Mas para os meus propósitos do desafio, 1k por dia já está de bom tamanho.

Antes de ler, preste atenção nisso:

A história está incompleta e ainda não foi revisada!

Teutoburgo

Roma. O grande império romano, com suas legiões, costumes, civilização… Aqui no meio desse fim de mundo. Estamos no coração da germania, trazendo os costumes romanos para esse povo bárbaro.

Isso é o que dizem que estamos fazendo, pelo menos. Quando eu ouvia tudo isso lá em Roma, parecia ser incrível. Mas não é.

Não é bem assim que as coisas funcionam. Já fazem anos que nós, romanos, estamos tentando “romanizar” a germania, mas ainda não funcionou. Realmente, não funcionou. E posso ver isso com meus próprios olhos.

Um vilarejo germânico, beirando o rio Weser. Eles nos odeiam. Só não nos atacam pois temos incrível superioridade numérica. Mas todos sabemos que eles nos odeiam, e se tivessem a oportunidade, nos matariam.

A lei romana, que para mim e para todos meus companheiros romanos, faz todo o sentido do mundo, mas não para eles. Para eles, a lei romana é falha, cheia de dúvidas, e injusta.
Dois ladrões foram crucificados ontem, pois roubaram comida dos legionários. Crucificados.

Não que eu esteja contra meu povo, não é isso. É que quando a gente ta aqui, em campanha, da pra ver tudo que acontece de verdade. Essa verdade a gente não aprende quando é criança e ouve as histórias de nossos pais. A gente não aprende quando está treinando na academia militar. Não, essa verdade nós só aprendemos aqui, onde as coisas realmente acontecem.

Amanhã vamos partir, pois o outono se aproxima, e não queremos passar nem perto do inverno no meio dessas florestas. O período de chuvas está cada vez mais próximo, e felizmente estaremos em segurança, em alguma cidade verdadeiramente romana.

Mas existe um problema. Aquele Arminius, eu não confio nele. Ontem surgiram boatos de rebeliões das tribos ao redor. Os homens estão preocupados, e muitos apostam que é obra de Arminius. Eu sou um deles.

Por mais que ele tenha sido criado nos costumes romanos desde criança, ele nasceu não muito longe daqui, na tribo Cherusci. Imagina o ódio que ele poderia ter de nós? Eu não sei…

Ontem durante o crucifixo daqueles jovens, eu vi uma criança olhando com ódio para nós. Eu era um dos legionários a fazer a guarda para que ninguem chegue perto do corpo. E aquela criança ficou ali, parada, me olhando. E foi ai que eu imaginei, e se foi assim com Arminius? E se quando a tribo Cherusci foi capturada, ele não tenha olhado com esse mesmo olhar para os romanos, jurando vingança.

Eu não confio nele, mas Varus confia, e eu confio em Varus. É um ótimo governador e general. Muito duro as vezes, mas ele sabe o que faz, e não mostra fraqueza. Os dois são muito próximos, e esse me alivia a consciência um pouco. Talvez Arminius não seja um traidor.

Mas se uma rebelião acontecer, não sei de que lado ele vai ficar.

É melhor eu dormir logo, pois amanhã será um longo dia.


- Numerius! Vamos, precisamos desmontar a barraca e nos preparar para a viagem depressa. Varus planeja sair bem cedo.

Levantei e ajudei Sabinus a desmontar a barraca. Os outros homens de nosso conturbenium já estavam preparando os mantimentos para a viagem. Todos acordaram muito cedo, o sol estava começando a aparecer naquele céu gelado da germania.

- Os homens estão animados com a viagem de hoje!

- Certamente, Numerius, ninguém aguenta mais ficar nesse lugar horrível!

- Concordo com você. Não há nada de bom para Roma aqui, vilas e tribos primitivas, sem nada de valor. E o povo bárbaro é muito resistente a nossa cultura.

Sabinus concorda com a cabeça, e volta a organizar nosso equipamento. Ao longe eu vejo alguns homens se aglomerando, e vou ver o que está acontecendo.

Chegando lá, alguém chama meu nome. Era Minucius, o líder de nosso contubernium.

- Numerius, acabei de receber notícias dos superiores. Varus já enviou a auxilia de Arminius para confirmar que teremos um caminho seguro pela frente. Nós entraremos na fila logo atrás dos hastatis.

- Pode deixar Minucius, vou reunir os homens e nos encontraremos lá.

A capacidade dos romanos de montar e desmontar um acampamento tão rápido, ainda me surpreende. São três legiões, afinal.


Já estavamos caminhando a algum tempo, o avanço era lento devido a falta de estradas. Acredito que em dois ou três dias iremos nos separar da margem do rio Weser e partir de encontro do rio Rhine.

Durante as primeiras horas, os hastatis a nossa frente marchavam animados e cantavam. Nós, príncipes, também nos juntamos a eles por um momento.

Vai ser uma longa viagem mesmo, mas pelo menos desta vez estamos indo para casa.


Já se passaram alguns dias, e estamos perto de chegar no Rhine. Todos estão muito cansados, mas não deve demorar muito até chegarmos a uma cidade sob dominio romano.

Não tinhamos mais o que conversar, tudo que estava na nossa cabeça era o conforto de casa.

Até que algo estranho acontece. Todos pararam, e ninguem sabia o que tinha acontecido. Murmiros por todos os lados começaram.

Após alguns minutos, um mensageiro veio a cavalo, dando algumas instruções para os líderes.

- Um de nossos postos avançados foi atacado. Fumaça pode ser avistada em uma distância considerável, onde Varus acredita ser o local de nosso posto. Arminius estava por lá com sua auxilia, e é possível que tenha entrado em batalha também.

Ele para, contorna um pouco a fila se certificando de que todos ouviram, e continua.

- Varus decidiu alterar nosso curso. Vamos atravessar a floresta a fim de chegar mais rápido ao local. Fiquem atentos, pois ao que parece, a rebelião das tribos não era apenas um boato.
E então ele parte com seu cavalo para um ponto mais distante da fila, para avisar aos outros.

- O que você acha disso, Sabinus?

- Não sei não… acho que o Arminius nos traiu. Por fora ele é romano, mas por dentro nunca deixou de ser germano!

- Espero que não seja verdade. Mas se for, Varus não irá perdoar.


Mais tarde no mesmo dia, parece que a auxilia retornou, mas ninguem nos disse o que aconteceu. Entramos na floresta, e pouco tempo depois começou a chover. Era horrível. Tivemos de alongar ainda mais a fileira de homens, facilmente se estendeu por mais de 10km. O chão estava molhado, havia galhos caídos para todo lado, uma sensação péssima.

Continua…

Vinicius Munhoz

Admin at Fluid Novel
Sou nerd e maluco, deal with it :D

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